O que é?
Na maioria das situações, a lombalgia ou dor lombar, resulta de uma patologia da coluna vertebral, frequentemente de natureza degenerativa, mas pode também ser postural ou devida a esforço, a acidente, a fenómenos inflamatórios ou ainda a problemas relacionados com os discos intervertebrais (ruptura ou hérnia).
A região lombar é essencial para a coluna vertebral, pois é o principal ponto de apoio do tronco. Além disso, ela é constituída por 5 vértebras, ligamentos, músculos e discos invertebrados e é responsável por sustentar grande parte do peso corporal bem como ajudar a movimentar o corpo.
Este termo refere-se à presença de dor na região da coluna lombar, geralmente entre as últimas costelas e acima dos glúteos, que algumas vezes pode irradiar para os membros inferiores com ou sem dormência. É, portanto, um sintoma bastante comum e incapacitante e não uma doença, o que significa que se pode manifestar na presença de diversos quadros clínicos.
A lombalgia é, ainda, uma das causas mais frequentes de reforma por invalidez, o que traduz bem o seu impacto pessoal e profissional.

Tipos de lombalgia
A lombalgia pode ser classificada em vários tipos, que se diferenciam pela origem da dor e da sua duração.
Pode ser classificada em aguda (apresenta início súbito e duração inferior a seis semanas), subaguda (entre seis e 12 semanas) ou crónica (superior a 12 semanas). Esta classificação é importante pelo diferente impacto que tem no paciente afectado, mas também pelas diferentes causas e tratamentos destes diferentes tipos de lombalgia. Na maioria dos casos, tem uma origem mecânica, mas, noutros é de natureza psicológica (psicogénica), sendo estes mais difíceis de diagnosticar.
Quando a dor lombar surge sem uma causa patológica clara, pode ser classificada como não-especificada, já que não é possível determinar qual a causa da dor.
A lombalgia poe ainda ser local, quando surge numa região específica da região lombar (pequena lesão discal, distensão muscular, artrite na articulação, entorse ou outra lesão); irradiada, quando é latejante e irradia desde a região lombar descendo pela perna e pode ser aguda e intensa (compressão de uma raiz nervosa); reflexa, quando é sentida num local diferente da causa real da dor.
Enquanto a dor localizada pode ser constante ou latejante e pode ser aliviada ou agravada pelas mudanças de posição, a dor irradiada pode ser desencadeada pela tosse, espirros ou pelo esforço e por vezes pode surgir fraqueza muscular na perna, sensação de formigueiro ou perda de sensibilidade. Relativamente à dor reflexa, esta geralmente não agrava com o movimento, ao contrário da dor musculoesquelética.
Causas
Como existe um grande número de estruturas na coluna (ligamentos, tendões, músculos, ossos, articulações, disco intervertebral) há inúmeras causas diferentes para a dor. Associado a isso há inúmeras doenças sistémicas não reumatológicas que podem manifestar-se com dor lombar. Desta forma, as principais causas de dores lombares são:
- Osteoartrite: processo de atrito ósseo que provoca dor e rigidez nas vertebras.
- Dor ciática (ciatalgia): condição na qual uma hérnia exerce pressão sobre o nervo ciático causando dor lombar tipo choque ou queimadura, com dor através das nádegas e para abaixo do joelho, ocasionalmente, atingindo o pé
- Problemas emocionais, ansiedade e stress
- Aneurismas da aorta abdominal: quando a artéria que fornece sangue para o abdómen e pernas aumenta de tamanho. A dor nas costas pode ser um sinal de que o aneurisma está a aumentar e que o risco de ruptura deve ser avaliado
- Síndrome do Piriforme: inflamação ou tensão excessiva no músculo piriforme
- Distensão muscular: resulta de tensão ou distensão muscular
- Hérnia discal: denominada de deslocamento do disco ou ruptura do disco intervertebral
- Fibromialgia: causa a dor crónica e generalizada (difusa) nos músculos e noutros tecidos moles em áreas distintas da região lombar
- Artrite reumatóide
- Espondilite anquilosante: doença do disco intervertebral ou doença degenerativa do disco intervertebral
- Estenose lombar da coluna vertebral: estreitamento do canal espinhal na região lombar
- Distúrbios renais e urinários: cálculos renais, infecções nos rins, bexiga e próstata
- Infecções : osteomielite, ou os discos intervertebrais, conhecida como discite
- Tumores
- Escoliose: curvatura anormal da coluna
- Excesso de actividade
- Osteoporose: diminuição progressiva da densidade óssea
- Eventos traumáticos
- Alterações posturais
- Permanência na posição de pé ou sentada por períodos prolongados
- Obesidade
- Mau desenvolvimento da massa muscular.
Sintomas
A lombalgia é um sintoma, como foi referido anteriormente, mas, dependendo da causa, pode ser acompanhada de:
- Contractura e tensão muscular na zona afectada
- Imobilização repentina com incapacidade de ficar sentado ou em pé durante muito tempo
- Irradiação para um ou ambos os membros inferiores
- Sensação de queimadura ou de choque.
Os casos mais preocupantes são aqueles em que os sintomas não aliviam ao fim de três meses, os que não respondem ao tratamento e aqueles que ocorrem em doentes com antecedentes de doença neoplásica.
Diagnóstico
A causa de lombalgia é difícil identificar, mesmo após um exame clínico minucioso. No entanto, existem alguns procedimentos e exames que podem ser solicitados, tais como a radiografia, tomografia computorizada, ressonância magnética, cintigrafia óssea, osteodensitometria e a eletroneuromiografia.
Tratamento
A intervenção da fisioterapia na dor lombar é indicada como tratamento na fase aguda, ou seja, quando há uma exacerbação dos sintomas, podendo as sessões serem realizadas diariamente até se verificar a remissão total dos sintomas.
Nas sessões de fisioterapia podem ser utilizadas técnicas como massagem, alongamentos e fortalecimento muscular, associadas a técnicas de osteopatia como a manipulação da articulação sacro-ilíaca. Também pode ser utilizada electroterapia, correcção postural e o ensino ao utente, para ajudar no alívio da dor e diminuição da inflamação.
O tratamento pode ainda passar pelo repouso relativo, pela colocação de calor, acupunctura e algum tipo de medicação Anti-inflamatória e relaxante.
A necessidade de cirurgia nas lombalgias decorre da falta de resultados, verificando-se na maioria das situações uma recuperação com tratamento simples.
A cirurgia pode envolver a fusão de vértebras, de modo a que elas cicatrizem como um osso único, assim se eliminando o movimento nesse segmento vertebral. Outra possibilidade é a substituição de um disco lesado, mantendo a flexibilidade e a mobilidade da coluna.
Prevenção
Nem sempre é possível prevenir ou evitar a lombalgia, todavia é possível implementar alguns cuidados, como:
- Manter uma postura correcta;
- Ao baixar-se, dobrar os joelhos e manter a coluna direita;
- Evitar carregar pesos excessivos;
- Manter o peso ideal para a altura;
- Evite colchões moles ou duros demais;
- Escolher uma almofada medicinal adequada para ajudar a manter a coluna alinhada, garantindo um posicionamento correto e confortável;
- Ver televisão sentado, com a cabeça alinhada ao tronco e as costas apoiadas no sofá.
- Evitar deitar-se com a cabeça no braço do sofá;
- Fazer exercício físico pelo menos três vezes por semana;
- No escritório ajustar o monitor do computador para que fique à altura dos olhos, o teclado deve ficar num ângulo de noventa graus com os cotovelos e os punhos devem estar na mesma linha que o teclado;
- Evitar sentar-se com as pernas cruzadas. Deixá-las alinhadas e ligeiramente afastadas, com os pés firmemente apoiados no chão.
- A altura da cadeira deve ter a mesma distância entre o joelho e o chão;
- Não ficar muito tempo sentado. Procurar fazer pausas a cada 30 minutos para levantar e fazer alongamentos simples.
