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O que é capsulite adesiva?

A capsulite adesiva ou “ombro congelado” é um quadro clínico caracterizado por limitação dos movimentos e intensa dor e rigidez na articulação do ombro, que pode durar de vários meses até anos.

A esta condição clínica é provocada por uma inflamação da cápsula que reveste a articulação do ombro.

Como surge?

O ombro é uma articulação formada por 3 ossos: o úmero, a clavícula e a espátula (omoplata).

A extremidade superior do úmero, chamada de cabeça do úmero, tem a forma de um globo e encaixa-se na cavidade glenoide, que é uma superfície côncava. Este mecanismo convexo e côncavo permite ao osso mover-se de forma multiaxial, possibilitando uma grande amplitude de movimentos.

A articulação do ombro é envolvida pela cápsula articular do ombro, que é uma membrana que ao mesmo tempo cria estabilidade e permite a livre movimentação da articulação.

A capsulite adesiva é uma doença que provoca inflamação, fibrose, espessamento e rigidez da cápsula articular, levando à dor e à limitação funcional do ombro. A capsula, que normalmente é um tecido elástico, torna-se rígida e bastante dolorosa.

A capsulite adesiva é uma lesão diferente da bursite e da tendinite do ombro. A bursite do ombro é provocada pela inflamação da bursa sinovial, que é uma espécie de almofada localizada no interior da articulação. Já a tendinite do ombro é uma inflamação dos tendões.

Fases da capsulite adesiva

  1. Fase inicial aguda ou inflamatória, “freezingphase” – é caracterizada pelo aparecimento insidioso de dor difusa e limitação da amplitude dos movimentos (activos e passivos) da articulação gleno-umeral. Os sintomas agravam-se ao longo de semanas e costumam ser piores à noite. Ao contrário da bursite e da tendinite, cuja dor estão associadas a determinados movimentos do ombro, a dor da capsulite surge com qualquer tipo de movimento. Possui uma duração de cerca de 2 a 9 meses.
  2. Fase de congelamento ou rigidez, “frozenphase” – nos 4 a 12 meses seguintes, a dor diminui progressivamente, mas a limitação de movimentos mantém-se, com perda quase total da rotação externa. A incapacidade funcional não está diretamente ligada à dor, o paciente simplesmente não consegue mover o ombro como antigamente porque ele encontra-se rígido ou “congelado”. Levantar o braço, coçar as costas, vestir um casaco ou fechar o sutiã podem se tornar tarefas impossíveis. Nesta fase, a dor só costuma surgir quando o paciente tenta mover o ombro para além do possível.
  3. Fase de recuperação ou descongelamento, “thawingphase” – ocorre espontaneamente, com melhoria gradual da amplitude de movimentos e resolução da dor. O paciente vai, aos poucos, retomando a capacidade de mover os ombros de forma ampla e a dor desaparece completamente. Essa fase pode demorar de 5 a 24 meses para ficar completa. Possui uma duração média de 2 a 3 anos.

Causas

A capsulite adesiva pode estar relacionada a traumatismos do ombro (com ou sem fractura associada), cirurgia ou causas sistémicas, como a diabetes, hipotireoidismo ou doenças cardiovasculares. O ombro congelado também pode ser uma doença idiopática, isto é, um problema que surge sem que possamos identificar uma causa clara.

Todos os quadros inflamatórios junto à articulação do ombro, como as bursites e tendinites, poderão estar também relacionados com a fisiopatologia desta condição clínica.

Factores de risco

  • Idade acima de 50 anos.
  • Traumas na região do ombro.
  • Imobilização prolongada do braço.
  • Cirurgias (não necessariamente do ombro).
  • Diabetes Miellitus
  • Hipotiroidismo
  • Hipertiroidismo
  • Doenças autoimunes
  • Doença de Parkinson
  • AVC
  • Doenças cardiovasculares.
  • Fracturas do úmero
  • Patologias da coifa dos rotadores
  • Tendinopatia do bicípite
  • Tendinopatia calcificada.

Sintomas

Os dois principais sintomas do ombro congelado são a dor (com agravamento nocturno) e a incapacidade funcional, que é a limitação da amplitude de movimentos activos e passivos da articulação que, no limite, levam a um bloqueio completo da mobilidade.

O agravamento destes sintomas pode provocar uma grande limitação e interferir com as actividades da vida diária, tornando-se extremamente incapacitante também para a actividade profissional.

Diagnóstico

O diagnóstico é com base na história clínica do doente e em exames complementares de diagnóstico, tas como a radiografia (RX), a TAC, a Ressonância Magnética (RM) ou o ultra-som.

Embora a radiografia e o ultra-som não sejam os exames mais indicados para o diagnóstico da capsulite adesiva, estes exames podem ajudar no diagnóstico diferencial, identificando outras causas de dor no ombro, como bursite e tendinites.

Capsulite adesiva tem cura?

A capsulite adesiva ou “ombro congelado” é uma patologia que habitualmente se resolve com tratamento não cirúrgico. Embora a resolução definitiva do quadro seja demorada, com a orientação adequada, a recuperação da mobilidade é completa.

Tratamento

Na capsulite adesiva, o tratamento numa fase inicial é baseado em anti-inflamatórios, isto é medicamentos ou remédios dirigidos para o controle da inflamação e dor. A fisioterapia precoce também pode ajudar nestes objectivos, assim como fazer a aplicação de gelo e/ou calor alternados.

O tratamento de fisioterapia, numa fase em que a dor já esteja controlada, baseia-se na realização de exercícios para a recuperação da amplitude articular normal. Este processo é, por vezes, muito longo e poderá demorar entre 9 a 12 meses.

Porém, nos casos mais difíceis em que o tratamento conservador não tenha os resultados pretendidos, poderá ser necessário recorrer a anestesia para manipulação ou tratamento cirúrgico.

Post Author: vivafisiosaude