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O que é?

O abcesso pulmonar são cavidades que se originam no pulmão, com acumulação de tecido pulmonar morto e líquido no seu interior. Geralmente, o abcesso pulmonar corresponde a uma concavidade com um centímetro ou mais de diâmetro. São causados por bactérias e são mais frequentes no lado direito.

Os abcessos pulmonares podem ser classificados com base na sua duração: com menos de quatro a seis semanas são considerados agudos, tendo os crónicos uma duração superior. Podem ser únicos ou múltiplos, primários e secundários, estando os primeiros relacionados com processos infecciosos, por aspiração ou pneumonia, e sendo os segundos causados por condições preexistentes, nomeadamente doença obstrutiva, bronquiectasias (dilatações dos brônquios) ou imunodepressão, entre outras causas.

Sintomas

O quadro clínico desta patologia é variável, dependendo dos antecedentes do doente, da gravidade, da extensão e do microrganismo implicado. Os pacientes com abcessos pulmonares por agentes bacterianos anaeróbios apresentam sintomas discretos que podem evoluir durante semanas ou meses, tendo habitualmente doença gengival associada, e podem assemelhar-se aos da tuberculose pulmonar.

Os principais sintomas são febre ao final do dia, suores noturnos, tosse inicialmente seca e depois produtiva, dificuldade respiratória, dor torácica, expetoração de cheiro fétido e paladar desagradável, perda de apetite e emagrecimento.

No caso de ruptura do abcesso podem surgir sangue na expetoração e pleurisia.

Causas

Resulta da passagem das bactérias da cavidade oral para o tecido pulmonar.

As bactérias anaeróbias existentes na cavidade oral e são a causa mais frequênte desta patologia, no entanto podem ocorrer outros agentes infeciosos, aeróbios, embora seja menos frequente.

Os pacientes mais vulneráveis são os que apresentam doença dentária ou gengival, epilepsia ou alcoolismo, alterações da junção gastroesofágica, das estruturais da faringe e do esófago, doença de refluxo, dificuldade de deglutição por lesão neurológica, obstrução brônquica por tumor ou corpo estranho, má higiene dentária e oral,  indivíduos com impossibilidade de proteção das vias aéreas, casos de coma com perda de conhecimento, anestesia geral ou sedação, idosos, portadores de imunodepressão e com a patologia obstrutiva brônquica.

Diagnóstico

Primeiramente é feita uma avaliação médica pormenorizada, sendo o hemograma, os parâmetros inflamatórios, a colheita de expetoração, a colheita de sangue e a radiografia essenciais.

Numa fase posterior pode realizar-se a tomografia computorizada, uma vez que, permite uma melhor definição anatómica das lesões, e a punção transtraqueal ou transtorácica, para a aspiração do conteúdo do abcesso, a cultura do líquido pleural ou hemoculturas e a broncoscopia, caso haja suspeita de obstrução brônquica por carcinoma ou inalação de corpo estranho.

Tratamento

O principal problema no seu  tratamento é a presença crescente de resistências aos antibióticos, havendo necessidade de regimes terapêuticos de menor duração.

A intervenção cirúrgica é raramente necessária, limitando-se a casos de má resposta à terapêutica médica, neoplasias ou malformações congénitas.

As complicações do abcesso pulmonar resultam da ruptura do mesmo para o espaço pleural provocando empiema, fibrose pulmonar, pulmão encarcerado, insuficiência respiratória, fístula bronco-pleural ou cutâneo-pleural e disseminação da infecção pela corrente sanguínea.

Prevenção

  • O reconhecimento e tratamento precoce das infecções respiratórias são essenciais para prevenir a sua evolução para o abcesso pulmonar. 
  • Uma boa higiene oral é igualmente importante. 
  • Os doentes com perturbações gastroesofágicas devem ser instruídos de modo a evitar a aspiração do conteúdo gástrico, devendo dormir com a cabeceira elevada e não enchendo demasiado o estômago antes de dormir.

Post Author: vivafisiosaude